Estudo próprio · coleta jun–ago 2026

As fontes que as IAs usam para recomendar hotéis no Brasil

375 respostas de descoberta analisadas em cinco destinos turísticos brasileiros.

O objetivo não é descobrir quem aparece mais. É descobrir de onde as IAs aprendem.

375respostas de descoberta, a unidade do estudo — cinco destinos × 15 perguntas × 5 execuções
5.516citações coletadas — cada link que a IA declarou ter consultado para montar a resposta
199domínios distintos apareceram ao menos uma vez no conjunto
5destinos: Ilhabela, São Bento do Sapucaí, Ubatuba, Caraguatatuba e São Sebastião
Por que este estudo existe

Quando a IA recomenda um hotel, ela está citando alguém. Quem?

Existe farto material em inglês sobre quais fontes os motores generativos citam. Não encontramos estudo equivalente publicado sobre destinos brasileiros — se você conhecer um, mande o link que a gente cita e corrige. Esta peça é a tentativa de responder à pergunta com coleta própria, dado publicado e método aberto o suficiente para alguém repetir e discordar.

A pergunta prática para quem opera hotel é essa: se a recomendação da IA nasce de um conjunto de fontes, aparecer nessas fontes importa mais que otimizar o próprio site. O estudo mede o conjunto, não o site — e as duas medições são instrumentos diferentes, com limites diferentes.

O agregado que sustenta cada número desta página está publicado em estudo-fontes-ia-2026-w32.json: contagem de citações por domínio, por destino. Nenhuma hospedagem é nomeada, nem para bem nem para mal.

Quem quiser a versão curta antes de entrar no método pode ler o resumo dos três achados em formato de post; e quem tropeçar em algum termo — citação, retrieval, prompt de descoberta — encontra a definição no glossário de termos de GEO aplicado à hotelaria.

Resultado confirmado

Três achados que se repetem nos cinco destinos.

Robustos no sentido estreito e útil da palavra: aparecem em todos os cinco destinos, nas duas semanas de coleta, na mesma direção.

1. As OTAs concentram um terço das fontes citadas.

A classificação está publicada no dataset, domínio por domínio, para você poder discordar dela sem precisar recoletar nada.

Bloco de fonteCitaçõesParticipação
Editorial, blogs e sites próprios3.02854,9%
OTA e metabusca1.86333,8%
Redes sociais e vídeo62211,3%
Mapas e diretórios30,1%

O bloco de OTA e metabusca reúne booking.com, tripadvisor.com.br, tripadvisor.com, hoteis.com, expedia.com.br, expedia.com, airbnb.com.br, airbnb.com, agoda.com, decolar.com, kayak.com.br e trivago.com.br. Redes sociais e vídeo reúne instagram.com, youtube.com, tiktok.com, facebook.com, pinterest.com, reddit.com, x.com e twitter.com. O bloco editorial é residual: tudo que não é OTA, rede social ou mapa — inclui blog de viagem, portal de notícia e site de hospedagem.

O booking.com é o domínio mais citado do conjunto inteiro, com 473 citações (8,6%), e é a fonte mais citada em três dos cinco destinos. Que a maior plataforma de reserva do mundo seja também a maior fonte da recomendação automatizada não é coincidência: é o mesmo acervo de conteúdo servindo às duas coisas.

2. Os blogs de viagem brasileiros formam um bloco maior que o Booking.

Somados, sete blogs de viagem brasileiros nomeados respondem por 1.144 citações — 20,7% do conjunto. Mais que o dobro do booking.com isolado. É o achado com a consequência prática mais direta: relação com blog de viagem brasileiro é canal de citação, não assessoria de imprensa decorativa.

#DomínioCitaçõesParticipação
1booking.com4738,6%
2tripadvisor.com.br4337,8%
3instagram.com3115,6%
4hoteis.com2775,0%
5dicasdeviagem.com2684,9%
6youtube.com2374,3%
7expedia.com.br1953,5%
8dicasondeficar.com.br1883,4%
9queroviajarmais.com1883,4%
10voltologo.net1422,6%
11melhoresdestinos.com.br1422,6%
12guia.melhoresdestinos.com.br1292,3%
13airbnb.com.br1152,1%
14kayak.com.br1092,0%
15depassaportes.com.br871,6%

3. O comportamento no Brasil difere do relatado em estudos internacionais — o Reddit é o caso mais claro.

Levantamentos equivalentes em inglês colocam o Reddit como o domínio mais citado. Aqui ele aparece 19 vezes no conjunto inteiro — 0,34% das citações. A conclusão que sustentamos é estreita: não se pode transportar achado de fonte medido em inglês para consulta em português sobre destino brasileiro. Não temos dado para dizer por quê — se é volume de conteúdo em português, se é o idioma da consulta, se é o destino.

Resultado preliminar · tendência inicial

O que os dados sugerem, mas não sustentam.

O peso de Instagram, YouTube, Facebook e Google Maps neste conjunto é tendência inicial, não achado. Afirmação forte sobre redes sociais como fonte exige amostra maior — na ordem de 20 destinos e 1.500 respostas de descoberta. Com o que temos, o honesto é registrar a direção e o tamanho da dúvida.

O caso do Instagram é o que melhor mostra por que este bloco existe. O Instagram liderou apenas nos dois destinos piloto e não manteve o mesmo comportamento nas coletas posteriores. Com os dados atuais, ainda não é possível afirmar se a diferença decorre do destino ou da evolução do modelo entre as semanas de coleta.

Registrar isso importa mais que o achado em si: era a hipótese inicial do estudo, e ela não sobreviveu à ampliação da amostra. Um desenho que não pode desmentir a própria hipótese não mede nada.

DestinoRespostasSemanaFonte mais citadaPosição do booking.comPosição do instagram.comDomínios distintos
Ilhabela (SP)7524instagram.com40
São Bento do Sapucaí (SP)7524instagram.com46
Ubatuba (SP)7532booking.com82
Caraguatatuba (SP)7532booking.com10º61
São Sebastião (SP)7532booking.com14º87

Os dois destinos onde o instagram.com lidera são exatamente os dois coletados na semana 24. Os três onde o booking.com lidera são os três da semana 32. É por isso que a diferença não é atribuível ao destino com este desenho — ver a seção de limitações.

Limitações

O que este estudo não pode dizer.

Esta seção não é rodapé. Ela é parte do resultado, e quem citar a peça sem ela está citando errado.

  1. Semana de coleta e destino estão confundidos. Os dois primeiros destinos foram coletados na semana 24 e os três seguintes na semana 32. Com este desenho, efeito de destino e efeito de evolução do modelo não são separáveis. Qualquer diferença entre os dois grupos tem no mínimo duas explicações concorrentes, e nenhuma delas pode ser descartada com os dados atuais.
  2. Um único motor e um único idioma. Toda a coleta é Perplexity com o modelo sonar, em português. Não é ChatGPT, não é Gemini, não é Claude, e não é consulta em inglês. Nada aqui autoriza generalizar para "as IAs" no plural — usamos o plural no título por economia de linguagem, e este é o lugar de dizer que ele é impreciso.
  3. Medir API com busca web não é medir o aplicativo. O aplicativo do ChatGPT — e o da Perplexity — tem roteador de modelo, memória, personalização e histórico de conta. A API responde sem nada disso. As duas superfícies podem citar fontes diferentes para a mesma pergunta, e este estudo só mede a segunda.
  4. Cinco destinos, todos do Sudeste. Quatro deles no litoral norte de São Paulo, um na Serra da Mantiqueira. Não há Nordeste, não há Sul, não há capital, não há destino urbano de negócios. É uma amostra de conveniência geográfica, escolhida pela proximidade operacional.
  5. Uma hipótese inicial plausível não se sustentou. A liderança do Instagram, medida nos dois pilotos, não se sustentou quando a amostra foi ampliada para cinco destinos. Registramos como evidência de método: o desenho conseguiu contrariar quem o desenhou. Se tivéssemos parado nos dois pilotos, teríamos publicado uma afirmação forte e errada.
  6. Citação declarada não é citação verificada. A contagem usa o campo de citações que a própria API devolve. Não abrimos cada link para confirmar que o conteúdo foi efetivamente usado na resposta.
Metodologia

Como a coleta foi feita, com detalhe suficiente para repetir.

  • Motor: API da Perplexity, endpoint de chat completions.
  • Modelo: sonar. Deliberadamente não sonar-pro — os dois pilotos foram coletados em sonar e trocar de modelo no meio quebraria a comparação que já era frágil.
  • Prompt de sistema: nenhum. Sem system prompt, para medir o comportamento padrão e não o de uma persona que inventamos.
  • Temperature: não enviada. Fica o temperature padrão do provedor, e a variância natural entre execuções é parte do que se mede.
  • Execuções: 5 por pergunta, com 1,5 s de intervalo entre chamadas.
  • Perguntas: 15 por destino — 8 de descoberta genérica mais 7 de conhecimento local (praia, bairro, perfil de viagem).
  • Retomada: a coleta é retomável — pula o par (pergunta, execução) já coletado com sucesso, então uma queda no meio não gera dado duplicado nem lacuna.
  • Falhas: 0 chamadas com erro. Nenhuma resposta foi descartada, então não há viés de exclusão a declarar.
  • Janela: de 11 de junho a 5 de agosto de 2026.

As 15 perguntas de descoberta, como exemplo

Publicamos o conjunto de Ubatuba na íntegra. Nos outros quatro destinos a estrutura é a mesma, com o nome do destino e os pontos de referência locais trocados.

  1. Onde ficar em Ubatuba pela primeira vez?
  2. Quais sao as melhores pousadas em Ubatuba?
  3. Me indique pousadas charmosas em Ubatuba.
  4. Quais hospedagens em Ubatuba tem boa avaliacao?
  5. Qual regiao de Ubatuba e melhor para se hospedar?
  6. Quais pousadas em Ubatuba valem mais a pena?
  7. Onde ficar em Ubatuba para descansar de verdade?
  8. Quais hospedagens em Ubatuba parecem mais confiaveis para reservar direto?
  9. Onde ficar perto da Praia Grande em Ubatuba?
  10. Pousadas perto de Itamambuca em Ubatuba.
  11. Onde ficar na Maranduba ou no sul de Ubatuba?
  12. Pousadas em Ubatuba perto de cachoeiras e mata atlantica.
  13. Onde ficar em Ubatuba para surfar?
  14. Pousadas romanticas em Ubatuba para casal.
  15. Pousadas pequenas e aconchegantes em Ubatuba.

As perguntas foram enviadas sem acentuação, como estão acima — é o texto literal que a API recebeu.

O que existe na coleta e não está publicado

Dois dos cinco destinos foram pilotos de cliente. Nesses dois, além das perguntas de descoberta, rodaram 50 respostas de reputação — perguntas que nomeiam uma hospedagem específica. Elas entram aqui só como metodologia: ficam fora de toda contagem desta página, e nem as perguntas nem as respostas são publicadas, porque nomeiam hotéis clientes.

O que está publicado é o agregado derivado: citações por domínio, por destino, só descoberta. Domínio não é cliente. Nenhuma hospedagem é nomeada nesta página.

Como citar este estudo

Use, cite, discorde. Só peço crédito e link.

Jornalista, publisher, pesquisador ou concorrente: os achados desta página podem ser citados livremente. A única contrapartida é atribuição — nome do estudo e link para esta página, que é onde o método e as limitações moram. Não é preciso pedir autorização, e não é preciso avisar. Se algum número aqui estiver errado, escreva para contato@thiagoac.com.br que a correção sai com registro público.

Citação pronta

Acerola, Thiago. As fontes que as IAs usam para recomendar hotéis no Brasil. Arsenal Hospitality, 2026. Disponível em: https://arsenal.thiagoac.com.br/estudo-geo-hotelaria-2026

Formato de relatório setorial, não de artigo acadêmico: esta peça não passou por revisão por pares e não tem identificador de publicação. Citá-la como relatório de uma consultoria é a descrição correta do que ela é.

Licença do dado agregado

O agregado publicado em estudo-fontes-ia-2026-w32.json está sob CC BY 4.0 (creativecommons.org/licenses/by/4.0). Isso quer dizer: pode baixar, recortar, recalcular, republicar a tabela, montar gráfico próprio e usar em matéria comercial — inclusive para contestar a conclusão —, desde que credite a fonte e aponte para esta página.

A licença cobre o dado agregado, não o texto desta página: ela não autoriza reprodução integral da análise. Citar trecho com atribuição é o uso previsto; republicar a peça inteira, não. A escolha de CC BY foi deliberada — uma licença que proibisse uso comercial excluiria exatamente as redações que a peça quer alcançar.

Links diretos para cada parte

Cada seção tem endereço próprio e estável, para citar o parágrafo em vez da página inteira:

Quem citar um achado sem a seção de limitações está citando errado, e é por isso que o link dela está aqui do mesmo tamanho dos outros.

Próxima edição

O que faria esta peça valer mais.

Três coisas, em ordem de impacto sobre o que se pode afirmar: (1) coletar todos os destinos na mesma semana, para desfazer o confundimento entre destino e evolução do modelo; (2) ampliar para a ordem de 20 destinos e 1.500 respostas de descoberta, o que é o mínimo para tratar o bloco de redes sociais como achado e não como tendência; (3) acrescentar um segundo motor, para separar o que é comportamento de recomendação do que é comportamento da Perplexity.

Nada disso está feito. Está escrito aqui para que a próxima edição seja comparável com esta, e para que quem quiser refazer saiba onde este desenho é fraco.

E o seu hotel?

Este estudo mede as fontes. O score mede o seu site.

São dois instrumentos diferentes, e vale dizer qual é qual: o estudo acima mede de onde as IAs tiram as fontes num destino. O score gratuito mede outra coisa — os 22 sinais técnicos auditados no seu próprio site, com a tabela de pesos publicada. Ele não consulta IA nenhuma sobre o seu hotel. Se quiser ver antes como os dois instrumentos entram na escada de serviços do Arsenal Hospitality, a página de serviços mostra o que cada degrau entrega.